Juro que não dava nada por isso.
Minha prima — aquela que foge de laboratório, de agulha e de qualquer coisa que custe mais de R$ 50 — apareceu no almoço de domingo com o cabelo igualzinho ao do dia que ela saiu do salão.
Fazia uns 40 dias da última coloração dela.
Olhei duas vezes, procurei a raiz branca... e nada.
Perguntei se ela tinha retocado.
Ela riu, tirou um negocinho da bolsa que parecia um corretivo de olheira, encostou na risca na frente de todo mundo e falou:
"É isso aqui. Dura até eu lavar o cabelo."
Fiquei curiosa e com um frio na barriga ao mesmo tempo.
Peguei o dela ali mesmo e fui pro banheiro testar.
Sem espelho de salão, sem boa iluminação, sem nada.
Encostei a esponjinha na raiz, dei duas batidinhas de leve...
A mecha branca que tava berrando na minha risca sumiu na hora.
Sem spray grudando na testa. Sem pó caindo no ombro da blusa. Sem aquele cheiro de tinta que fica horas no cabelo.
A textura é aveludada, seca em 2 segundos e some pra dentro do fio.
Passei a mão — não grudou, não melecou, não transferiu nada.
Parecia que meu cabelo tinha absorvido a cor igual uma esponja seca absorve água.
Fiquei olhando pro espelho tentando encontrar onde eu tinha passado.
Comprei o meu na segunda-feira. Depois de 3 semanas usando quase todo dia — antes de reunião, antes de sair com meu marido, antes do aniversário da minha mãe — esses foram os 7 motivos que me fizeram adiar o salão por quase 2 meses e indicar pra praticamente todas as amigas do meu grupo.

Essa é a parte que ninguém acredita até ver. Você tira a tampinha, encosta a "borrachinha mágica" na risca, dá duas batidinhas e pronto. É o mesmo movimento do corretivo embaixo do olho — se você sabe disfarçar olheira, você já sabe usar isso. Não precisa de técnica, não precisa de espelho iluminado, não precisa chamar ninguém pra ajudar. Fiz dentro do carro, no estacionamento do mercado, antes de uma call de trabalho.

Esse foi o teste que me ganhou de vez. Fui num aniversário em dezembro, 34 graus, suei a tarde inteira dançando. Cheguei em casa, olhei no espelho esperando aquela mancha escura escorrendo na testa — nada. Minha amiga que mora no litoral mergulhou no mar com ele passado e falou que só saiu quando lavou com shampoo. Não é tinta. É um pigmento que gruda no fio e fica lá até você decidir tirar.

Eu pagava R$ 280 de retoque de raiz a cada 20 dias — fora o tempo perdido lá dentro. Já tem 7 semanas que não piso no salão e meu cabelo continua com cara de recém-feito. Fiz a conta e já paguei esse pote umas 8 vezes. E o pote parece que não acaba — uso quase todo dia e tá do mesmo tamanho de quando chegou.

Essa foi a surpresa que nem tava procurando. Depois dos 40 minha risca começou a abrir, aquela linha de couro cabeludo aparecendo quando batia luz. Com duas batidinhas em cima da risca, o contraste entre o fio e a pele some e dá uma ilusão de cabelo bem mais cheio. Minha cunhada que teve queda pós-parto começou a usar nas entradas da testa e tá chocada.

Eu tinha pavor dos sprays de raiz. Dava sensação de capacete, cabelo endurecido, e se eu passava a mão vinha aquele pó marrom no dedo. Esse aqui tem óleos na fórmula — o fio continua macio, você passa escova depois, prende rabo de cavalo, deita no travesseiro branco e nada transfere. Meu marido nem percebeu que eu tava usando algo.

Esse ponto me pegou porque eu nem tinha pensado nisso. Como não é tinta, é só um pigmento de superfície, meu cabelo parou de receber amônia a cada 20 dias. Em 2 meses ele ficou visivelmente mais forte, com menos pontas quebrando. A manicure que também faz escova comentou outro dia que meu fio tava "respirando".

Cabe no bolso da jaqueta, no porta-luvas, na gaveta do escritório. Retoquei no elevador antes de subir pra uma reunião, retoquei no banheiro de restaurante antes de uma foto, retoquei no carro antes do casamento da minha prima. Virou o item que eu mais uso da necessaire — mais que o próprio corretivo.
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